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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Meditação Litúrgica - 04ª Semana do Tempo Comum - Ano A - 30-Jan-2011

Fonte: Lista Exsurge Domini
Autor: John Nascimento - 25/Jan/2011

A Liturgia da Palavra deste 4º Domingo Comum – A, fala-nos hoje nas Bem-Aventuranças, com relevo especial para os pobres, cuja felicidade é o Reino dos Céus.

Mais do que normas morais, as Bem-Aventuranças são uma realidade de «Ideias-Força», com as quais Jesus quer mudar a mentalidade, os critérios e as tabelas de valores, em ordem à aquisição das disposições necessárias a quem deseja entrar no Seu Reino.
Por isso, elas são para todos os cristãos, são para todos nós.
Constituem para todos uma indicação segura da meta para a qual devemos caminhar.
O espírito de pobreza, de mansidão, de paz, de amor à justiça, de perdão e de pureza, deve impregnar toda a acção de um cristão.
O cristão encontrará a liberdade interior, a paz, a alegria e a verdadeira felicidade, vivendo um estilo de vida conforme ao de Cristo, em união com Deus e em comunhão com todos os seus irmãos.
A 1ª Leitura, é do Livro do profeta Sofonias, e diz-nos que o Povo de Deus, reduzido a um «resto», perdido entre os outros povos da terra, não é um povo sem esperança.
- “Procurai a justiça, procurai a humildade : talvez possais encontrar refúgio, no dia em que o Senhor manifestar a Sua indignação”. (1ª Leitura).
O Senhor será a sua protecção segura, se o Seu Povo souber percorrer o caminho da conversão, regressando a Deus, aproximando-se d’Ele, esforçando-se por ouvir a Sua voz, e souber viver num espírito de pobreza.
Assim o proclama também o Salmo Responsorial :
- “Felizes os pobres que o são no seu íntimo, porque deles é o Reino dos Céus”.
Na 2ª Leitura, S. Paulo, escrevendo aos Coríntios, que não eram de elevada condição social, diz-lhes, e hoje também a todos os que vivem com certas dificuldades, que, sendo nada aos olhos do mundo, Deus, porém, os escolheu para confundir, pela fé, aqueles que põem a sua esperança unicamente no mundo.
- “Mas o que é louco aos olhos do mundo é que Deus escolheu para confundir os sábios; o que é fraco aos olhos do mundo é que Deus escolheu para confundir o que é forte”. (2ª Leitura).
E os últimos da sociedade tornaram-se os primeiros, porque mediante a incorporação em Cristo, a que Deus os chamou, receberam de Cristo, a sabedoria, a força, a riqueza e toda a existência.
O Evangelho é de S. Mateus, e apresenta-nos as oito Bem-aventuranças, que são a proclamação desta Boa Nova : o Reino de Deus está presente em Jesus para todos os que têm as disposições de alma necessárias para acolher o dom gratuito de Deus, que é o Seu amor.
São também o resumo das condições para se pertencer a este Reino.
- “Felizes sereis quando, por Minha causa, vos insultarem, vos perseguirem e, mentindo, vos acusarem de toda a espécie de mal. Alegrai-vos e exultai, pois é grande nos Céus a vossa recompensa”. (Evangelho).
Os juízos de valor e o comportamento do mundo de hoje estão em contradição com o espírito das Bem-aventuranças.
Contudo, só pode ser membro de Cristo quem viver «de maneira que toda a sua vida, tanto individual como social, seja penetrada do espírito das Bem-aventuranças, e especialmente do espírito de pobreza». (GS. 72).
O chamado Sermão da Montanha de que fazem parte as Bem-Aventuranças, é verdadeiramente uma inversão dos valores tradicionais.
Os hebreus cultivavam a convicção de que a prosperidade material e o sucesso eram sinais das bênçãos Deus, enquato a pobreza e a esterilidade eram sinais de maldição.
Jesus denuncia a ambiguidade de uma representação terrena da bem-aventurança.
Agora, os bem-aventurados não são mais os ricos deste mundo, os saciados e os favorecidos, mas os que têm fome e choram, os pobres e perseguidos.
É a nova lógica, a que Maria, a bem-aventurada por excelência, canta no seu “Magnificat “ :
- “Derrubou os poderosos dos seus tronos e exaltou os humildes; encheu de bens os famintos e aos ricos despediu-os com as mãos vazias”.(Lc.1,52-53).
As nove bem-aventuranças de Mateus resumem-se na primeira :
- “ Bem-aventurados os pobres de espírito”.
As outras são o corolário e a explicitação desta.
Reconhecer-se pobre e fraco não é, porém e antes de tudo, uma condição essencial, mas uma disposição interior que afecta todo o modo de agir, em qualquer situação em que se viva.
A pobreza, por si só, não é um bem nem uma situação de ascese.
Mas ser rico significa ter poder, receber honras e ter uma posição superior aos outros; e aqui é que começa o perigo, porque onde há poder, riqueza e superioridade, pode haver também, e com muita frequência, oprimidos, esmagados e desprezados.
E é a estes que cabe o Reino dos Céus.
Jesus põe-se ao lado destes; são eles os eleitos.
Jesus apresenta-se como o mensageiro enviado por Deus para anunciar aos pobres a Boa-Nova; a sua silicitude pelos pobres, os infelizes e os doentes era o sinal da sua missão.
Jesus leva aos deserdados não só a segurança de que um dia gozarão do Reino de Deus, mas anuncia-lhes também que este Reino já chegou.
A missão de Jesus estende-se, para além dos pobres, a todas as misérias físicas e espirituais; todos atraem a sua compaixão.
Inaugurando a era da salvação, Deus concede uma prioridade a todos os que têm uma necessidade mais urgente.
Num mundo como o nosso, terá ainda sentido o Sermão da Montanha ?
Que sentido pode ter este Sermão numa sociedade de consumo, que mede a felicidade e a bem-aventurança segundo as riquezas, o sucesso e o poder ?
No entanto, não podemos anular as bem-aventuranças sem anular a Cristo.
De facto, o primeiro pobre é ele, que, sendo rico se fez pobre por nós.
Há, pois, nas bem-aventuranças um apelo a seguir a Jesus, que não encontrou lugar na hospedaria, onde poderia nascer, que não tinha uma pedra para recostar a cabeça, e que morreu numa cruz, despojado de tudo.
E tudo o que fez foi para dar inteiramente aos outros.
A multidão que ouve e segue a Jesus não é composta de escribas, ou fariseus, ou levitas , ou sacerdores do templo, poderosos e guardiões da ordem; mas segue a Jesus uma multidão anónima do povo humilde e simples, pescadores e pastores, gente explorada e oprimida pelos mais poderosos.
É a vivência do espírito das Bem-aventuranças, que nos leva a caminhar segundo o plano da História da Salvação.
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Diz o Catecismo da Igreja Católica :
1720. – O Novo Testamento emprega muitas expressões para caracterizar a bem-aventrurança a que Deus chama o homem : a chegada do reino de Deus; a visão de Deus : «Felizes os puros de coração, porque verão a Deus»(Mt.5,8); a entrada na alegria do Senhor; a entrada no repouso de Deus(He.4,7-11).
1722. – Uma tal Bem-aventurança ultrapassa a inteligência e as simples forças humanas. Resulta de um dom gratuito de Deus. Por isso se classifica de sobrenatural, tal como a graça, que dispõe o homem a entrar no gozo de Deus.

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