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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Meditação da Liturgia do 06º Domingo do Tempo Comum- Ano A - 13-Fev-2011


06 Domingo do Tempo Comum Ano A

Autor: John Nascimento
Transmissão: Lista Exsurge Domini


A Liturgia da Palavra deste 6º Domingo Comum – A, ensina e recomenda que devemos cumprir a Lei Nova.

Deus, para realizar o Seu plano de salvação, transmitiu ao homem a Sua Lei.
E o homem tanto melhor alcançará a perfeição quanto mais firmemente sintonizar o seu agir com a vontade divina.
Jesus, vindo à Terra não suprimiu a Lei.
* Libertou-a de falsas interpretações;
* Condenou o apego à letra da Lei, com o desprezo do espírito;
* Reprovou a prática meramente externa e ritual da Lei;
* Apontou onde estava o essencial da Lei : no amor a Deus e aos irmãos.
Mas ao mesmo tempo, recomendou-nos :
- «Se queres entrar na vida, guarda os Mandamentos».
E para que o homem tivesse um modelo, Ele próprio, em toda a vida, Se tornou obediente à Vontade do Pai, em total fidelidade à Sua missão do serviço dos homens.
O homem de hoje, orgulhoso das suas conquistas, não se preocupa com a Lei de Deus.
Acata as leis humanas conforme as suas finalidades e julga a Lei de Deus como muito bem lhe calha para fazer uma religião ao seu jeito, de conveniência e sem compromissos.
A 1ª Leitura do Livro de Ben-Sirá (ou Eclesiástico), diz que a Lei de Deus , compendiada nos Mandamentos, foi dada por Deus ao homem, para que melhor possa alcançar a sua perfeição.
Não é um colete de forças, mas um par de asas, que elevará o homem e lhe permitirá viver na região da luz, praticando «obras da luz», realizando-se como homem e filho de Deus.
- “Em frente dos homens, estão a vida e a morte : será dado a cada um o que ele preferir. Pois é grande a sabedoria do Senhor; Ele é forte e poderoso, e vê todas as coisas”.1ª Leitura).
O homem, que é livre e pode sempre auto-determinar-se, responsavelmente perante o bem, deve dar a Deus uma resposta de amor.
Por maiores que sejam as dificuldades, nunca lhe faltará o auxílio divino para poder sintonizar o seu agir com a Lei de Deus, como proclama o Salmo Responsorial :
- “Ditoso o que anda na Lei do Senhor !”
Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Coríntios, e hoje também aos sábios modernos, que não despreza a sabedoria humana, que ele mesmo, adquirira em alto grau.
Conhece-lhe, no entanto, as suas muitas limitações, e sabe a que consequências desastrosas conduz, quando, entregue a si própria, se deixa possuir pelo orgulho e, em vez de caminho para Deus é caminho para o mal.
- “Não falamos de sabedoria entre os mais adiantados na perfeição, mas de uma sabedoria que não é deste mundo, nem daqueles que têm o domínio deste mundo, os quais vão ser reduzidos à impotência”.(2ª Leitura).
Para o Apóstolo, porém, a única sabedoria verdadeira é aquela que nos leva ao conhecimento do Mistério de Cristo, isto é, ao plano da História da Salvação do nosso Deus e à conformidade da nossa vida com esse plano.
É a sabedoria da Cruz, comunicada pelo Espírito Santo aos humildes, aos «pobres em espírito», sabedoria que põe de manifesto a pequenez dos sistemas e dos valores humanos em ordem à salvação.
O Evangelho é de S. Mateus, e diz-nos que Jesus, centro e termo do plano da História da Salvação, não vem para suprimir a Lei, mas para a levar à sua perfeição, o ideal moral do Antigo Testamento.
- «Não penseis que Eu tenha vindo revogar a Lei ou os Profetas; não vim revogar, mas dar pleno cumprimento(...) Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.(2ª Leitura).
Libertando a Lei das falsas interpretações humanas, que a sobrecarregam, dá-nos a própria interpretação de Deus.
Condenando o farisaísmo, convida à interioridade e à autenticidade.
Corrigindo-a, com a autoridade própria, como no caso do divórcio, mostra que, com o Evangelho se inaugurou uma nova ordem, e com ela se inaugura um novo espírito no cumprimento da Lei, o de amor filial para com Deus e fraternal para com os homens.
As palavras de Jesus convidam o cristão a algo “a mais”, a dar um passo adiante na fraternidade.
Não basta não matar o irmão, importa sobretudo respeitá-lo, ter consideração para com ele, e não se considerar superior a ele.
Pode-se matar com palavras, com um julgamento severo ou com uma atitude de desprezo.
Pode-se matar um irmão, deixando-o de lado, voltar-lhe as costas sem nenhuma razão, desaprovando ou menosprezando os seus projectos, impdedindo-o de de se exprimir livremente.
Os marginalizados, os asilados, os débeis mentais, os que vivem na mais penosa solidão, são mortos pelo nosso cruel desinteresse, pelo nosso afastamento e pela falta da nossa companhia, talvez por causa das nossas críticas caluniosas.
Não podemos honrar a Deus se desonramos um irmão nosso ao longo do nosso caminho, ainda que ele, por razões que nós desconhecemos, nos pareça que o não merece porque se deixou aviltar e reduzir à última miséria.
O amor do homem e da mulher não pode ser um desejo ou uma busca egoísta de uma satisfação descontrolada.
O amor é essencialmente querer o bem do outro, encontrar nele o nosso próprio retrato, é um encontro livre e libertador.
A atracção ou estímulo físico sem amor é o sinal de uma alienação e a imagem de uma imaturidade profunda e perigosa; é a negação da liberdade e da dignidade da pessoa; é uma tentativa de destruição de bens maiores e mais preciosos: é fazer de alguém um objecto e uma simples coisa desprezível.
Um amor verdadeiro, com raiz na totalidade da pessoa, insere-se na única corrente de amor que é Deus, um Amor que dá o próprio Filho : um dom total, porque Cristo deu a sua vida toda por nós.
A família deve viver estas catracterísticas de amor, que a marcam profundamente e solidificam a unidade.
O amor no Matrimónio ou é assim ou não existe.
Só a família que vive o verdadeiro amor é que caminha dentro do plano da História da Salvação.
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Diz o Catecismo da Igreja Católica :
580. – O cumprimento perfeito da Lei só podia ser obra do divino legislador, nascido sob o domínio da Lei na pessoa do Filho. Em Jesus, a Lei já não aparece gravada em tábuas de pedra, mas «no íntimo do coração»(Jr.31,33) do Servo, o qual, proclamando «fielmente o direito»(Is.42,3), se tornou «a aliança do povo»(Is.42,6). Jesus cumpriu a Lei até ao ponto de tomar sobre Si «a maldição da Lei»(Gal.3,13) em que incorrem aqueles que «não praticam todos os preceitos da Lei»(Gal.3,10); porque «a morte de Cristo foi para remir as faltas cometidas durante a Primeira Aliança»(He.9,15).

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