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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Meditação da Liturgia do 07º Domingo do Tempo Comum - Ano A - 20-Fev-2011

Meditação da Liturgia 20-Fev-2011
Autor: John Nascimento
Transmissão: Lista Exsurge Domini

David poderia ter morto Saúl seu inimigo...

A Liturgia da Palavra deste 7º Domingo Comum – A, mais uma vez nos recomenda que devemos amar até os nossos inimigos.
O mandamento do amor ao próximo não era desconhecido antes de Jesus.
De facto, no Antigo Testamento nunca se havia pensado em amar a Deus sem se interessar pelo próximo.
No Livro dos Provérbios encontra-se uma mensagem muito semelhante ao ensinamento de Cristo :
- “Se teu inimigo tem fome, dá-lhe de comer; se tem sede, dá-lhe de beber”. (Prov.25,21).
Jesus mais tarde havia de dizer :
- “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. (Mt.5,44).
David poderia ter morto Saúl, seu inimigo, mas não o fez para não matar o ungido do Senhor.
Parece um mandamento paradoxal, querer bem a quem nos quer mal, mas é exactamente nisso que consiste sobretudo o Mandamento da Nova Aliança que torna revolucionária a doutrina que Jesus pregava e praticava.
Temos inimigos a quem devemos perdoar, e até talvez tenhamos também alguém a quem devemos pedir perdão.
A 1ª Leitura, do Livro do Levítico, diz-nos, precisamente porque Deus é santo, o Povo que Lhe está consagrado e é pertença Sua, deve ser santo.
O comportamento moral de Israel deve, pois, estar em perfeita conformidade com a santidade de Deus.
- “Não odieis um irmão vosso no íntimo do coração, mas haveis de corrigir o vosso próximo, para não incorrerdes em falta por causa dele. Não vos vingueis”.(1ª Leitura)
Este esforço contínuo de perfeição moral, que se exige do homem tem de se traduzir num amor pelo homem, fundamento da solidariedade entre os membros da comunidade.
Se perdoar (dizer não ao ódio, vingança, rancor), é próprio da santidade divina, será no amor aos homens que se incarnará, no mundo, a santidade de Deus, que sabe e quer perdoar, como proclama o Salmo Responsorial :
- “Senhor, sois um Deus clemente e compassivo”.
Na 2ª Leitura, S. Paulo dirige-se à comunidade cristã de Corinto, onde começava a infiltrar-se a divisão.
Preocupado com esse mal, ele lembra aos que fomentavam essa divisão, que estão a contrariar a acção do Espírito Santo, que habita na comunidade, como num templo, para lhe dar unidade.
- “Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destrói o templo de Deus, Deus destruí-lo-á !”(2ª Leitura).
É o Espírito de Deus, com efeito, que «realiza aquela maravilhosa comunhão dos fiéis e une a todos tão intimamente que é princípio de unidade na Igreja»(UR 2).
Por isso, espalhar a desunião é profanar o templo de Deus e não dar cumprimento à prática do amor entre os inimigos, uma doutrina sempre actual e dos nossos tempos..
O Evangelho é de S. Mateus e diz-nos que o preceito do amor ao próximo entendia-se, já no Antigo Testamento, como se abrangesse apenas a comunidade de Israel.
Vigorava também a lei de talião, tolerada por Moisés.
No entanto, Jesus, propondo aos Seus discípulos um ideal de perfeição, que leva o homem a aproximar-se da santidade de Deus, não só destrói essa lei, como dá ao amor do próximo, dimensões universais.
- “Ouvistes que foi dito : «Hás-de amar o teu próximo e odiar o teu inimigo». Pois Eu digo-vos : «Amai os vossos inimigos e orai por aqueles que vos perseguem, para serdes filhos do vosso Pai que está nos Céus». Deus faz nascer o sol sobre bons e maus e chover sobre justos e injustos”.(Evangelho).
Na sua formulação, no seu conteúdo e na sua forte exigência, o mandamento de Jesus é novo e revolucionário.
- É novo pelo seu universalismo, pela sua extensão no sentido horizontal : não conhece restrições, limitações, raças e religiões; dirige-se ao homem na unidade e na igualdade da sua natureza.
- É novo pela medida, pela intensidade e pela sua dimensão vertical : a medida é dada pelo próprio modelo que nos é apresentado :
- “Dou-vos um mandamento novo, que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei, assim, amai-vos uns aos outros”.(Jo.13,34).
A medida do nosso amor para com opróximo é, pois, o amor que Cristo tem por nós, ou melhor, o mesmo amor que o Pai tem por Cristo : porque :
- “Como o Pai me amou, também eu vos amei”.(Jo.15,9).
Deus é amor (1 Jo.4,16) e nisto se manifestou o seu amor :
- “Ele nos amou primeiro e enviou o seu Filho para expiar os nossos pecados”. (1 Jo.4,10).
- É novo pelo motivo que nos propõe : amar por amor de Deus, pelas mesmas finalidades de Deus: exclusivamente desinteressado; com amor puríssimo; sem sombra de compensação :
- “Porque, se amais os que vos amam, que recompensa haveis de ter ? Não o fazem já os publicanos?” (Mt.5,46).
Amar-nos como irmãos, com um amor que procura o bem daquele a quem amamos e não o nosso bem; amar como Deus que não busca o bem na pessoa a quem ama, mas cria nela o bem, amando-a.
- É novo porque Cristo o eleva ao nível do próprio amor de Deus. A concepção judaica podia deixar crer que o amor fraterno se põe no mesmo plano dos outros madamentos :
- “Não te vingarás nem guardarás rancor aos filhos do teu povo, mas amarás o teu próximo como a ti mesmo”.(Lev.19,18).
Mas a visão cristã dá-lhe um lugar central e único.
- “Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. (Mt.5,44).
No Novo Testamento, o amor do próximo está indissoluvelmente ligado ao preceito do amor de Deus.
Porque é filho de Deus, o cristão deve reflectir na sua vida o amor do Pai celeste por todos os homens, sem distinção, porque só assim se pode dar cumprimento ao plano da História da Salvação.
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Diz o Catecismo da Igreja Católica :
1962. – A Lei Antiga é o primeiro estádio da lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos. Os preceitos do Decálogo assentam os alicerces da vocação do homem, feito à imagem de Deus; proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial. O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem, para lhe manifestar o apelo e os caminhos de Deus e o proteger contra o mal.
1965. – A Lei Nova ou Lei Evangélica é a perfeição, na Terra, da Lei divina, natural e revelada. É obra de Cristo e tem a sua expressão de modo particular no sermão da Montanha. É também obra do Espírito Santo e, por Ele, torna-se a lei interior da caridade : «Estabelecerei com a casa de Israel uma aliança nova(...). Hei-de imprimir as minhas leis no seu espírito e gravá-las-ei no seu coração. Eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo».(He.8,8-10).

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