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terça-feira, 1 de março de 2011

Meditação da Liturgia do 09º Domingo do Tempo Comum - Ano A - 06-Mar-2011


Meditação da Liturgia do 09º Domingo do Tempo Comum - Ano A - 06-Mar-2011

Autor: John Nascimento
Transmissão: Lista Exsurge Domini


Moisés recebeu a Lei no Monte Sinai !

A Liturgia da Palavra deste 9º Domingo Comum – A, é um apelo à nossa consciência no sentido de que as nossas palavras devem corresponder às nossas acções.
Se a nossa fé não pode ser reduzida «só àquilo que dizemos», a uma oração separada da vida, convém lembrar, entretanto, que ela não coincide tampouco «só com aquilo que fazemos».
Isto é lembrado especialmente hoje em dia, quando tudo na sociedade nos leva a medir os valores, os acontecimentos e as pessoas, só pelo sucesso, pelo lucro, pela promoção profissional, isto é, na base de um «fazer» que não tem nada de evangélico.
O agir do Evangelho nada tem a ver com o conceito do mero sucesso.
Pelo contrário, frequentemente é um agir, do ponto de vista humano, coroado pelo insucesso e pelo fracasso mais paradoxal.
Humanamente falando, a vida de Cristo não termina com sucesso, mas com o mais humilhante fracasso, o abandono dos discípulos, e a morte infame na cruz.
Mas é precisamente neste insucesso que o mistério da Salvação e o triunfo da Páscoa lançam as suas raízes.
A 1ª leitura, do Livro do Deuteronómio, diz-nos que a fidelidade à Aliança com Deus, manifesta-se pelo cumprimento dos Seus Mandamentos, e não apenas pelas palavras.
Por isso, o Povo de Deus deve guardar a Lei no coração e pô-la em prática, em todas as circunstâncias da sua existência.
- “Moisés falou ao povo nestes termos : «As palavras que eu vos digo, gravai-as no vosso coração e na vossa alma, prendei-as à mão como um sinal e na fronte como um diadema. Olhai! Ponho hoje diante de vós a bênção e a maldição”.(1ª Leitura).
Só o caminho da fidelidade levará à verdadeira felicidade, a vida em plenitude de Deus, que é o nosso refúgio, como proclama o Salmo Responsorial :
- “Sede o meu refúgio, Senhor”.
Na 2ª Leitura, S. Paulo diz aos Romanos, e hoje também a todos os homens, que a nossa salvação foi absolutamente gratuita.
Fruto da iniciativa de Deus, foi-nos dada através do sacrifício voluntário de Jesus.
A esta iniciativa salvífica, deve o homem responder com a sua conversão pessoal, com a sua confiante abertura, que salva em Jesus, no Seu Espírito, em resumo, com as suas acções.
- “Foi sem a Lei de Moisés que se manifestou agora a justiça de Deus, atestada pela Lei e pelos Profetas. Essa justiça de Deus, vem pela fé em Jesus Cristo para todos os crentes sem distinção”.(2ª Leitura).
Esta fé não pode ser simples confissão oral; tem de ser actuada com a caridade, com obras, que expressem a nossa vida com Deus.
Não são as obras que salvam, mas não pode haver salvação sem a colaboração do homem.
O Evangelho é de S. Mateus, e diz-nos que Jesus é a revelação definitiva da vontade do Pai.
Por isso, só na fidelidade à Palavra de Cristo se pode agradar a Deus.
Não basta professar com os lábios a fé em Jesus.
- «Nem todo aquele que Me diz “Senhor, Senhor” entrará no reino dos Céus, mas só quem faz a vontade de Meu Pai que está nos Céus»...(Evangelho).
Se a nossa fé não for acompanhada de uma vida santa, está a construir-se sobre a areia.
Não são as palavras que contam, mas os factos.
A parábola das duas casas construídas sobre a rocha ou sobre a areia, também trata da oposição entre “ouvir” apenas e “pôr em prática”.
Não há religião cristã sem uma opção concreta (o caminho), e não há opção concreta sem um comprometimento activo.
Como são numerosos, mesmo entre o povo de Deus, os hábeis oradores, os profetas inúteis e os sábios exegetas... e quão poucos são os cristãos comprometidos com os problemas, dispostos a tudo fazer no cumprimento do que dizem.
O teste não está no plano das palavras, das veleidades ou das boas intenções, porque, de facto, só a palavra não é suficiente, porque pode ser fugaz, inútil, traiçoeira; porque seduz e oculta, ilude e sugestiona.
A medida do teste está no “fazer”; a acção é mais facilmente controlável, confronta-se inevitavelmente com as coisas e os acontecimentos, e revela a objectividade das acções.
Uma acção pode falhar, mas dificilmente consegue ocultar o seu fracasso.
Os factos são um testemunho público; julgam-nos pelo que somos e absolvem-nos, ou condenam-nos muito mais que as nossas palavras, porque as acções são antes um teste das nossas palavras.
As acções e as obras também podem iludir e tornar-se ocasião de complacência farisaica, de segurança e ostentação.
Se, por um lado, Jesus põe de sobreaviso os que se firmam nas palavras ocas e nas estéreis invocações do nome de Deus, por outro lado, não poupa as suas acusações para aqueles que confiam na letra morta, que pensam em ser salvos pelas “práticas” e pela obervância vazia das Tradições e da Lei.
A fé deve ser integrada na vida, isto é, a consciência do cristão não conhece divisões, é profundamente unitária.
A dissociação entre a fé e a vida é um grave risco para o cristão, principalmente em certos momentos da idade evolutiva, ou diante de certos compromissos concretos.
Os factos consistem no cumprimento generoso da vontade do Pai, por meio dos quais nós podemos contribuir para a realização do plano da História da Salvação.
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Diz o Catecismo da Igreja Católica :
1996. – A nossa justificação vem da graça de Deus. A graça é o favor, o socorro gratuito que Deus nos dá, a fim de respondermos ao seu chamamento para nos tornarmos filhos de Deus, filhos adoptivos da natureza divina e da vida eterna.
1997. – A graça é uma participação da vida de Deus, introduz-nos na intimidade da vida trinitária : pelo Baptismo, o cristão participa na graça de Cristo, Cabeça do seu corpo; como «filho adoptivo», pode, a partir daí, chamar «Pai» a Deus, em união com Seu Filho Unigénito; e recebe a vida do Espírito, que lhe infunde a caridade e forma a Igreja.
2611. – A oração da fé não consiste somente em dizer «Senhor, Senhor», mas em entregar o coração para fazer a vontade do Pai.(Mt.7,12). Jesus exorta os seus discípulos a ter na oração a preocupação de cooperar no desígnio de Deus.

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